Buda

"A lei da mente é implacável.
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realidade." - Buda

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Aprovação do Estatuto de Controle de Armas de Fogo pode transformar país em um “faroeste brasileiro”

     “faroeste brasileiro”

arma

Especialistas na área de criminalidade e segurança pública são contrários às propostas que facilitam o acesso às armas de fogo, o conhecido Estatuto de Controle de Armas de Fogo. Para o coordenador-geral do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, Cláudio Beato Filho, a situação da violência no país deveria motivar o Congresso a aumentar o rigor para o comércio de arma. “Pesquisas feitas no Brasil inteiro apontam quem tem arma tem duas vezes mais chance de ser vítima. Ter arma expõe mais a pessoa. Infelizmente, na comissão, grande parte dos deputados defende as bandeiras da indústria das armas e já tem opinião definida sobre o tema. Espero que no plenário as mudanças sejam derrubadas”, opinou Beato.
O sociólogo critica a forma como o desarmamento foi discutido na Câmara, sem uma avaliação mais técnica por parte dos parlamentares. “O tema está sendo discutido na base do medo e do terrorismo. O argumento é que o Estado não tem condição de proteger as pessoas e que, por isso, elas devem se armar. Quando apresentamos pesquisas concretas, os parlamentares simplesmente ignoram. As mudanças que estão sendo feitas pela comissão representam um enorme equívoco”, alerta Beato.
Para o ex-secretário adjunto de Defesa Social de Minas Gerais Luiz Flávio Sapori, a aprovação do novo estatuto seria como “jogar gasolina na fogueira”, já que a cultura brasileira é marcada pela violência. “O relatório final da comissão representa um grande retrocesso. É uma medida temerária, que tende a aumentar ainda mais a incidência de homicídios e latrocínios no país. Nossa cultura é extremamente violenta e podemos passar a ver conflitos menores ser resolvidos com mortes banais. Representa a instauração de um ‘faroeste brasileiro’”, critica Sapori.
O relator do projeto, deputado Laudívio Carvalho (PMDB-MG), rebate as críticas dos sociólogos e defende que a discussão sobre o desarmamento se arrasta no Congresso há três anos. “O povo brasileiro cobra essa definição. Só me debruçaria em cima de pesquisas se elas fossem oficiais. Na votação do referendo do desarmamento, vários especialistas fizeram análises que não aconteceram. Não posso trabalhar com especulações. Fizemos 27 audiências e ouvimos ponderações de todos os lados”, afirma Laudívio.

Fonte: Correio Braziliense

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